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Vale a pena tomar suplemento para dor crônica? O que dizem os estudos

vitorfp
há 7 horas
7 min de leitura

No grupo da família, alguém jura que o colágeno acabou com a dor no joelho. No celular, um vídeo garante que o magnésio "desinflama" o corpo inteiro. Quando a dor não dá trégua, é natural querer experimentar. Mas ser "natural" ou de venda livre não torna um produto útil, nem seguro. Veja o que as pesquisas encontraram sobre os suplementos mais procurados, inclusive quando a resposta foi "não ajudou".

Suplemento também tem efeito colateral

Um levantamento de casos relatados em idosos dá a dimensão dos riscos [1]. Os problemas mais chamativos foram cálcio elevado no sangue por excesso de vitamina D, lesão de nervos associada à vitamina B6, dano aos rins pela vitamina C e interações de vitaminas E e K e do ômega-3 com a varfarina, um anticoagulante. A biotina (B7) também apareceu atrapalhando o resultado de exames de tireoide [1]. Por trás desses eventos havia quantidades acima do recomendado, o mesmo nutriente presente em vários produtos simultaneamente, interações com remédios e até contaminação [1].

Alguns cuidados simples reduzem esse risco:

  • Leve para a consulta tudo o que você usa, inclusive chás, fórmulas manipuladas e produtos "naturais".

  • Confira os rótulos: dois produtos diferentes podem conter o mesmo ingrediente.

  • Conte ao médico se usa anticoagulante ou tem problema no fígado ou nos rins.

  • Não suspenda nem troque remédios de uso contínuo sem orientação.

Investigar antes de repor

Ter uma deficiência é uma coisa; achar que "mais é melhor" é outra. Corrigir uma falta confirmada em exame faz sentido; tomar às cegas pode não ajudar e ainda expor a riscos.

Para organizar essa investigação, a equipe da Levedad usa como guia o SDIMMMER, roteiro publicado em 2024 por Lana e colaboradores que percorre sete áreas: sono, alimentação, microbioma, metabolismo, medicamentos, exames e reabilitação [2]. O objetivo é preparar "o terreno", atacando a inflamação crônica de baixo grau de origem metabólica, e duas letras pesam aqui:

  • "E", de Exams: o artigo propõe exames de sangue que incluem, entre outros, vitamina D, vitamina C, zinco, ferritina, homocisteína e hormônios tireoidianos; o ajuste vem depois da análise dos resultados [2].

  • "M", de Medications: certos remédios de uso prolongado interferem nas vitaminas. A metformina, indicada no diabetes, diminui a vitamina B12, e o uso longo de inibidores da bomba de prótons (a família do omeprazol) pode atrapalhar a absorção de ferro, B12 e proteínas [2].

Vale a transparência: o SDIMMMER é uma proposta ainda sem ensaios clínicos que comprovem seus efeitos [2]. Serve como lista de checagem, não como garantia.

O que as pesquisas encontraram

Vitamina D: muito estudada, pouco efeito sobre a dor

Uma revisão Cochrane reuniu 10 ensaios clínicos, com 811 participantes, e não achou um padrão consistente de vantagem da vitamina D sobre o placebo em nenhuma das condições dolorosas crônicas analisadas [3]. Para os autores, um grande benefício geral é pouco provável, embora não se descarte efeito em situações específicas ainda não identificadas [3].

Já o ensaio VITAL seguiu, durante aproximadamente 5 anos, 1.398 adultos com dor crônica no joelho que usaram vitamina D ou placebo. Dor, rigidez e função ficaram iguais nos dois grupos [4]. Ou seja, a vitamina D não age como analgésico; corrigir uma deficiência pode ser indicado por outras razões, mas sem esperar alívio da dor por isso.

Ômega-3: resultado modesto e atenção às interações

No mesmo VITAL, o ômega-3 também não diminuiu a dor no joelho na comparação com placebo [4]. Na artrite reumatoide, uma metanálise com 23 ensaios viu um efeito pequeno sobre a dor, com certeza baixa a muito baixa, e os autores consideraram limitado o benefício clínico [5]. E, como vimos acima, há relatos de interação dele com a varfarina [1].

Magnésio: popular nas redes, pouco comprovado

Uma revisão Cochrane de 2025 sobre antagonistas do receptor NMDA, grupo que inclui o magnésio, comparou o magnésio por via oral com placebo em 2 estudos, somando 118 participantes, e não encontrou evidência clara de alívio da dor, com certeza baixa [6]. Faltam bons estudos para afirmar que ele funciona.

Vitamina B12: o ponto que costuma passar batido

A deficiência de B12 pode provocar anemia e neuropatia periférica, com dormência, formigamento ou queimação nas mãos e nos pés [2].

Quem toma metformina há anos merece atenção. No seguimento de longo prazo do Diabetes Prevention Program, o uso prolongado do remédio esteve associado à falta de B12, e o risco subiu a cada ano de tratamento [7]. Entre os usuários de metformina, a neuropatia foi mais comum naqueles com B12 baixa, e os pesquisadores sugerem pensar em dosagens periódicas da vitamina nesse grupo [7].

Isso não é motivo para interromper a metformina por conta própria, e sim para conversar com o médico sobre o exame. Se a sua dor é em queimação ou choque, veja o texto sobre dor neuropática.

Já com as vitaminas do complexo B, exagerar também cobra seu preço: na revisão de relatos em idosos, o excesso de B6 apareceu ligado a neuropatia [1].

Cúrcuma: sinal interessante, evidência frágil e um alerta

Numa metanálise de 29 ensaios clínicos, com 2.396 pessoas com diferentes formas de artrite, a curcumina mostrou possível melhora de sintomas e de marcadores inflamatórios [8]. Os próprios autores pedem cautela: havia poucos estudos, e a qualidade deles era baixa [8].

Há ainda um risco pouco frequente, mas grave. A Farmacopeia dos Estados Unidos (USP) revisou relatos de lesão hepática associada a suplementos de cúrcuma [9]. O quadro costuma aparecer entre 1 e 4 meses após o início e regredir com a suspensão, mas há registros raros de insuficiência aguda do fígado; muitas vezes, a pessoa usava outros remédios ou suplementos junto [9].

Colágeno: resultado animador, com ressalvas

Na artrose de joelho, uma metanálise de 11 ensaios, com 870 participantes, encontrou melhora de dor e função com o colágeno oral em relação ao placebo [10]. Os estudos, no entanto, foram bem diferentes entre si, o que diminui a segurança sobre o tamanho real do efeito [10]. Para uma visão mais ampla, leia sobre opções de tratamento da artrose.

Onde o suplemento entra no plano

Suplemento é coadjuvante. Na dor crônica, as estratégias com base mais sólida seguem sendo movimento orientado, sono reparador, cuidado com a saúde emocional e, se houver indicação, remédios e procedimentos. Veja o papel do exercício físico na dor crônica.

Uma sequência razoável: avaliar, pedir os exames indicados, corrigir o que de fato falta, revisar os remédios que mexem com vitaminas e reavaliar adiante. Se algum produto entra, como e por quanto tempo, é algo que se define caso a caso, com o seu médico.

Como a Levedad cuida de quem chega com uma lista de suplementos

Na Levedad, a conversa começa por uma avaliação individual, que inclui revisar tudo o que você já usa, de remédios a cápsulas e chás. A Dra. Maria Estela Semprini, anestesiologista com área de atuação em Dor, e o Dr. Vitor Pinho, neurocirurgião, analisam o quadro em conjunto e, quando há indicação, pedem exames para checar deficiências. O plano segue a lógica do SDIMMMER, com várias frentes, e o suplemento só entra quando faz sentido. Se a medicina regenerativa estiver em discussão, cuidar do "terreno" metabólico faz parte da preparação.

Quando procurar avaliação

Procure um médico se sente formigamento, dormência ou queimação nas mãos ou nos pés, sobretudo se faz uso prolongado de metformina ou de protetor gástrico. Busque ajuda também se algo novo surgir após iniciar um suplemento: pele ou olhos amarelados, urina escura, enjoo persistente, confusão ou fraqueza. Uma dor que resiste às tentativas anteriores também merece um novo olhar.

Dúvidas comuns

Colágeno ajuda na dor do joelho?

Na artrose de joelho, houve melhora de dor e função frente ao placebo, mas com estudos bem heterogêneos [10]. É algo a discutir com o médico, não uma solução garantida.

Posso tomar vários suplementos ao mesmo tempo?

Somar produtos aumenta a chance de repetir o mesmo nutriente e de provocar interações com remédios, duas causas frequentes de problemas nos relatos analisados [1]. Antes de combinar, mostre a lista completa ao seu médico.

Vale tomar vitamina D para a dor sem fazer exame?

As pesquisas não mostram alívio consistente da dor crônica com vitamina D [3][4], e doses excessivas podem levar a cálcio alto no sangue [1]. O caminho mais seguro é dosar e decidir junto com o médico.

Agende uma avaliação na Levedad

Se você quer saber o que realmente faz sentido no seu caso, sem gastar com o que não tem indicação, a equipe da Levedad pode ajudar a organizar essa investigação.

Fale com a equipe da Levedad pelo WhatsApp para agendar uma avaliação.

Levedad Medicina Regenerativa e Dor · Ribeirão Preto-SP · Diretor técnico: Dr. Vitor Pinho, CRM-SP 130236, RQE 42553.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. A indicação de qualquer tratamento é individual.

Referências

  1. Shahverdian A, Jafari M. Dietary supplement safety in older adults: a review of published case reports. Sr Care Pharm. 2025;40(1):32-49. doi:10.4140/TCP.n.2025.32

  2. Lana JV, Lana JF, Melo G, et al. SDIMMMER: a proposed clinical approach to optimize cellular physiology in regenerative medicine. Life (Basel). 2024;14(10):1287. doi:10.3390/life14101287

  3. Straube S, Derry S, Straube C, Moore RA. Vitamin D for the treatment of chronic painful conditions in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2015;2015(5):CD007771. doi:10.1002/14651858.CD007771.pub3

  4. MacFarlane LA, Cook NR, Kim E, et al. The effects of vitamin D and marine omega-3 fatty acid supplementation on chronic knee pain in older US adults: results from a randomized trial. Arthritis Rheumatol. 2020;72(11):1836-1844. doi:10.1002/art.41416

  5. Gkiouras K, Grammatikopoulou MG, Myrogiannis I, et al. Efficacy of n-3 fatty acid supplementation on rheumatoid arthritis' disease activity indicators: a systematic review and meta-analysis of randomized placebo-controlled trials. Crit Rev Food Sci Nutr. 2024;64(1):16-30. doi:10.1080/10408398.2022.2104210

  6. Ferraro MC, Cashin AG, Visser EJ, et al. Ketamine and other NMDA receptor antagonists for chronic pain. Cochrane Database Syst Rev. 2025;8(8):CD015373. doi:10.1002/14651858.CD015373.pub2

  7. Aroda VR, Edelstein SL, Goldberg RB, et al. Long-term metformin use and vitamin B12 deficiency in the Diabetes Prevention Program Outcomes Study. J Clin Endocrinol Metab. 2016;101(4):1754-1761. doi:10.1210/jc.2015-3754

  8. Zeng L, Yang T, Yang K, et al. Efficacy and safety of curcumin and Curcuma longa extract in the treatment of arthritis: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trial. Front Immunol. 2022;13:891822. doi:10.3389/fimmu.2022.891822

  9. Akhtar N, Barnes J, Gardiner P, et al. Rarely reported cases of hepatotoxicity associated with turmeric- and curcuminoid-containing dietary supplements: a comprehensive review by USP. Pharm Biol. 2026;64(1):866-901. doi:10.1080/13880209.2026.2693375

  10. Simental-Mendía M, Ortega-Mata D, Acosta-Olivo CA, et al. Effect of collagen supplementation on knee osteoarthritis: an updated systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. Clin Exp Rheumatol. 2025;43(1):126-134. doi:10.55563/clinexprheumatol/kflfr5

 
 
 

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