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Microbiota e dor no corpo: o que o intestino pode revelar

vitorfp
há 9 horas
7 min de leitura

Muita gente que convive com dor espalhada pelo corpo passa anos em consultas sem que ninguém pergunte como anda o intestino. E, no entanto, estufamento, prisão de ventre, cansaço e dor muitas vezes aparecem juntos. Seria só coincidência? As pesquisas sobre a microbiota intestinal, o conjunto de bactérias, fungos e vírus que habitam o intestino, sugerem que talvez não. Este texto separa o que já foi observado, o que ainda é hipótese e o que está ao seu alcance hoje. Adiantando com franqueza: os achados chamam a atenção, mas a evidência em seres humanos ainda está no começo.

O que as pesquisas já encontraram

Na dor crônica de forma geral

Uma metanálise juntou 21 estudos que compararam as bactérias intestinais de pessoas com e sem dor crônica. No grupo com dor, a variedade de bactérias era, em média, menor. Só que essas mudanças não funcionavam como assinatura de uma doença: eram parecidas em quadros dolorosos bem diferentes [1].

Na fibromialgia

É na fibromialgia que essa linha de estudo está mais adiantada. Em uma pesquisa com 77 mulheres com a doença e 79 sem ela, quanto mais intensos os sintomas, mais a microbiota se diferenciava. O sangue também mostrou diferença em butirato e propionato, compostos fabricados por bactérias do intestino. Usando apenas o perfil bacteriano, um algoritmo de computador separou com boa precisão quem tinha e quem não tinha fibromialgia [2].

Um trabalho publicado em 2025 deu um passo adiante. Camundongos criados sem bactérias próprias ficaram mais sensíveis à dor ao receber a microbiota de pessoas com fibromialgia. Quando essa microbiota foi trocada por uma saudável, a dor dos animais diminuiu. A mesma pesquisa incluiu um estudo aberto, sem grupo placebo, em que mulheres com fibromialgia receberam transplante de microbiota saudável e tiveram menos dor e mais qualidade de vida [3].

Onde esses achados se encaixam

É animador, mas ainda cedo. Uma revisão sistemática de 2025 confirmou que há alterações da microbiota na dor crônica difusa, porém ressaltou que a evidência é limitada e que os estudos variam muito entre si [4]. O transplante de microbiota para fibromialgia continua no campo da pesquisa e não é um tratamento oferecido na prática.

Como o intestino conversaria com a dor

Boa parte das bactérias intestinais se alimenta das fibras que comemos. Ao fermentá-las, elas produzem os chamados ácidos graxos de cadeia curta, que ajudam a conservar o muco que reveste e protege a parede do intestino [5].

Intestino e cérebro também trocam sinais o tempo todo, nos dois sentidos, por meio do sistema nervoso autônomo e do eixo dos hormônios do estresse. São circuitos que participam igualmente da dor crônica, e essa via recebeu o nome de eixo intestino-cérebro [1].

O artigo que descreve o SDIMMMER propõe uma sequência possível. O que comemos dá forma à microbiota, e um cardápio com pouca fibra e muito carboidrato refinado favorece um desequilíbrio conhecido como disbiose. Com ele, sobe a produção de substâncias inflamatórias, o que pode sustentar uma inflamação crônica de baixo grau: discreta, sem os sinais de uma inflamação aguda, mas presente no organismo inteiro [5].

Os autores levantam ainda a hipótese de que essa inflamação deixe a barreira intestinal mais frágil, permitindo a passagem para o sangue de substâncias que realimentam o processo [5]. A explicação faz sentido do ponto de vista biológico, mas segue em investigação em quem tem dor crônica.

Comida no prato, bactérias no intestino

Uma revisão de 43 estudos analisou dietas à base de comida de verdade, da vegetariana à mediterrânea, em pessoas com dor crônica. O conjunto mostrou efeito favorável sobre a dor, sem que um cardápio vencesse os outros. Para os autores, pesam os elementos que essas dietas compartilham: boa qualidade, riqueza de nutrientes e emagrecimento quando há excesso de peso [6]. Como os estudos eram muito diferentes entre si, o recado é uma direção, e não uma receita pronta.

No caso do padrão mediterrâneo, uma pesquisa europeia com 612 idosos durante um ano observou que quem aderiu mais à dieta mudou a microbiota. As bactérias que ganharam espaço se associaram a menos fragilidade e a níveis menores de marcadores inflamatórios, entre eles a proteína C reativa [7]. O estudo não avaliou dor, mas deixa claro que as bactérias do intestino respondem ao que vai para o prato.

Os ultraprocessados puxam para o lado contrário. Uma revisão abrangente de metanálises, com perto de 10 milhões de participantes, ligou o consumo maior desses produtos a uma probabilidade maior de obesidade, diabetes tipo 2, depressão, problemas de sono e morte por doença cardiovascular [8]. Os dados são observacionais e muitos têm qualidade baixa, mas a tendência reaparece em vários estudos.

Passos possíveis no dia a dia

  • Fibras com calma: aumente devagar o feijão, a lentilha, o grão-de-bico, os cereais integrais, as frutas, as verduras e os legumes, e beba água suficiente.

  • Um mediterrâneo com sotaque brasileiro: azeite, peixe, castanhas, frutas e o tradicional arroz com feijão.

  • Menos produtos prontos: refrigerante, salgadinho de pacote, biscoito recheado, embutidos e pratos congelados.

  • Noites bem dormidas: quando o relógio biológico desregula, a microbiota também muda [5]. Há mais sobre isso em sono e dor crônica.

  • Olho no metabolismo: peso, glicemia e gorduras no sangue fazem parte da mesma engrenagem inflamatória (saiba mais).

Probióticos: em que pé estamos

Probióticos, prebióticos e outras formas de mexer na microbiota vêm sendo testados na fibromialgia. Os primeiros resultados parecem promissores, mas vêm de poucos trabalhos, com desenhos e tamanhos variados, e parte deles nem foi feita em pessoas com fibromialgia [9]. Hoje não existe base para indicar um probiótico específico contra a dor. A indicação é individual, e qualquer suplemento deve ser conversado antes com o seu médico.

O intestino dentro do SDIMMMER

A equipe da Levedad usa como guia o SDIMMMER, roteiro que reúne sete pontos de avaliação: sono, dieta, microbioma, metabolismo, medicamentos, exames e reabilitação. Dieta e microbioma são dois deles [5]. Para o intestino, a proposta é começar pelo básico: conversar sobre alimentação, consumo de fibras e queixas como estufamento e intestino preso. Exames mais específicos ficam para quando houver razão, com o gastroenterologista envolvido sempre que preciso [5]. O objetivo é deixar o organismo, o "terreno", em melhores condições para que o cuidado da dor dê frutos. Os autores admitem que o roteiro ainda não passou por ensaios clínicos que o validem e lembram que a composição das bactérias intestinais varia bastante entre as pessoas [5].

Como a Levedad acompanha quem tem dor e queixas intestinais

Na Levedad, cada pessoa passa por uma avaliação individual que considera a dor junto com alimentação, intestino, sono e medicamentos. A equipe reúne a Dra. Maria Estela Semprini, anestesiologista com área de atuação em Dor, e o Dr. Vitor Pinho, neurocirurgião, o que permite olhar o problema por mais de um ângulo. O plano costuma combinar várias frentes, na lógica do SDIMMMER, e inclui parceria com outros especialistas quando o intestino pede investigação própria. Quando a dor tem um foco muscular ou articular, a medicina regenerativa, as ondas de choque ou o laser podem ser considerados em casos selecionados, após avaliação.

Quando não esperar

  • Sangue nas fezes, fezes muito escuras ou emagrecimento sem explicação.

  • Alteração no ritmo do intestino que não volta ao normal.

  • Dor na barriga que acorda você, febre ou vômitos repetidos.

  • Dor pelo corpo com cansaço e sono ruim que se arrastam sem melhora.

Os três primeiros sinais pedem avaliação médica sem demora.

Perguntas frequentes

Um exame de fezes pode mostrar se o intestino causa minha dor?

Por enquanto, não. Os testes de microbiota existem, mas as mudanças descritas até aqui não são típicas de uma doença específica [1]. Por isso, sozinhos, eles não apontam a origem da dor.

Mudar a alimentação pode diminuir a dor?

Pode ajudar. Nas revisões, dietas baseadas em comida de verdade tiveram efeito favorável sobre a dor, sem um cardápio campeão; o que parece contar é a qualidade da alimentação, a riqueza de nutrientes e a perda de peso quando necessária [6]. Cortar grupos inteiros de alimentos por conta própria, porém, pode empobrecer a dieta.

Transplante de microbiota é uma opção para a fibromialgia?

Ainda não. Os resultados em animais e em um estudo aberto chamaram a atenção [3], mas a evidência em pessoas é limitada [4]. Hoje, é um procedimento restrito à pesquisa.

Agende uma avaliação na Levedad

Se a dor no corpo chega acompanhada de queixas intestinais, cansaço e noites ruins, vale uma avaliação que considere tudo isso de uma vez.

Fale com a equipe da Levedad pelo WhatsApp para agendar uma avaliação.

Levedad Medicina Regenerativa e Dor · Ribeirão Preto-SP · Diretor técnico: Dr. Vitor Pinho, CRM-SP 130236, RQE 42553.

Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. A indicação de qualquer tratamento é individual.

Referências

  1. Goudman L, Demuyser T, Pilitsis JG, et al. Gut dysbiosis in patients with chronic pain: a systematic review and meta-analysis. Front Immunol. 2024;15:1342833. doi:10.3389/fimmu.2024.1342833

  2. Minerbi A, Gonzalez E, Brereton NJB, et al. Altered microbiome composition in individuals with fibromyalgia. Pain. 2019;160(11):2589-2602. doi:10.1097/j.pain.0000000000001640

  3. Cai W, Haddad M, Haddad R, et al. The gut microbiota promotes pain in fibromyalgia. Neuron. 2025;113(13):2161-2175.e13. doi:10.1016/j.neuron.2025.03.032

  4. Leong PY, Shi LH. Gut Microbiota in Adults with Chronic Widespread Pain: A Systematic Review. Diseases. 2025;13(9):299. doi:10.3390/diseases13090299

  5. Lana JV, Lana JF, Melo G, et al. SDIMMMER: A Proposed Clinical Approach to Optimize Cellular Physiology in Regenerative Medicine. Life (Basel). 2024;14(10):1287. doi:10.3390/life14101287

  6. Field R, Pourkazemi F, Turton J, et al. Dietary Interventions Are Beneficial for Patients with Chronic Pain: A Systematic Review with Meta-Analysis. Pain Med. 2021;22(3):694-714. doi:10.1093/pm/pnaa378

  7. Ghosh TS, Rampelli S, Jeffery IB, et al. Mediterranean diet intervention alters the gut microbiome in older people reducing frailty and improving health status: the NU-AGE 1-year dietary intervention across five European countries. Gut. 2020;69(7):1218-1228. doi:10.1136/gutjnl-2019-319654

  8. Lane MM, Gamage E, Du S, et al. Ultra-processed food exposure and adverse health outcomes: umbrella review of epidemiological meta-analyses. BMJ. 2024;384:e077310. doi:10.1136/bmj-2023-077310

  9. Dipalma G, Marinelli G, Ferrante L, et al. Modulating the Gut Microbiota to Target Neuroinflammation, Cognition and Mood: A Systematic Review of Human Studies with Relevance to Fibromyalgia. Nutrients. 2025;17(14):2261. doi:10.3390/nu17142261

 
 
 

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